domingo, 15 de outubro de 2017

O DUELO DOS NEUROCIRURGIÕES - Anatomia topográfica


“Eu o tratei. Deus o curou.” – Paré


            O autor relata a historia de Henrique II da França em 1559 durante um torneio de jutas, no qual Henrique foi acometido na cabeça por uma lança com posterior torção maldosa no maxilar, causando micro hemorragias e miniconvulsão. Foi socorrido pelos dois maiores médicos da Europa, pois ficava entre a consciência e a inconsciência devido a uma gigantesca concussão.
            Ocorre que desde o inicio do século XIII, a Igreja havia declarado que nenhum cristão poderia derramar sangue, o que conferia aos clínicos status social superior aos cirurgiões. Porém, Paré e Versalius não encontraram nenhuma fratura ou fissura no crânio de Henrique. Eles pincelavam com tinta o topo da cabeça e observavam se ela escoava ou batiam com uma vareta no crânio, afinal, crânios rachados soavam diferente de crânios intactos.
            A maioria dos médicos da época pensava no cérebro como um ovo, se a casca não quebra a gema não se danifica.
            Mas, Vesalius e Paré raciocinavam de maneira diferente. Paré tinha a experiência de um campo de batalha e já havia feito autópsias ilegais constatando concussão e lesão de contra golpe.
            Henrique iniciou com quadro de convulsões e paralisias temporárias, recorrente ao aumento da PIC.
            A história da neurociência provou que o cérebro é espantosamente resiliente, mas uma coisa que ele não pode suportar é pressão. O edema cerebral se prova mais fatal que o golpe inicial. Mas Henrique faleceu pelo aumento da PIC devido a uma hemorragia.
            Pare voltou para Paris e escreveu um livro texto de anatomia que plagiava Vesalius. E, não viu nisso grande problema, e sim um ato inofensivo de acender uma vela na chama de outra.
            O que foi relativamente importante da autopsia de Henrique foi a inspiração para Paré escrever um livro sobre ferimentos na cabeça, chamando atenção para o perigo das lesões de contra golpe e acumulo de fluidos, emparelhando lesões cerebrais especificas com sintomas específicos, o modus operandi da neurociência durante os quatro séculos seguintes.
            Conclui-se, portanto, que as lesões de contra golpe existiam, e que o cérebro podia sofrer traumas mesmo que o crânio permanecesse incólume.
            Cada concussão amolece o cérebro e é predisposição a mais concussões. Após múltiplos golpes, neurônios começam a morrer e buracos esponjosos se abrem, em seguida, as personalidades das pessoas se desintegram.