terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Amo Golfinhos...

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar."
Karl Marx


Os golfinhos por serem mamíferos e apresentarem respiração pulmonar devem constantemente realizar a hematose a partir do oxigênio presente na atmosfera, tal fato obriga os golfinhos a subirem constantemente à superfície. Uma das conseqüências desta condição é o sono baseado no princípio da alternação dos hemisférios cerebrais no qual somente um hemisfério cerebral torna-se inconsciente enquanto o outro hemisfério permanece consciente, capacitando a obtenção do oxigênio da superfície.

Os delfins são cetáceos pertencentes à família Delphinidae. São perfeitamente adaptados para viver no ambiente aquático, sendo que existem 37 espécies conhecidas de golfinhos dentre os de água salgada e doce. A espécie mais comum é a Delphinus delphis.

São nadadores privilegiados, às vezes, saltam até cinco metros acima da água, podem nadar a uma velocidade de até 40 km/h e mergulhar a grandes profundidades. Sua alimentação consiste basicamente de peixes. Podem viver de 25 a 30 anos e dão à luz a um filhote de cada vez. Vivem em grupos, são animais sociáveis, tanto entre eles, como com outros animais e humanos.

Sua excelente inteligência é motivo de muitos estudos. Em cativeiro é possível treiná-los para executarem grande variedade de tarefas, algumas de grande complexidade. São extremamente brincalhões, pois nenhum animal, exceto o homem, tem uma variedade tão grande de comportamentos que não estejam diretamente ligados às atividades biológicas básicas, como alimentação e reprodução.

O golfinho possui o extraordinário sentido da ecolocalização, um sistema acústico que permite obter informações sobre outros animais e o ambiente, pois consegue produzir sons de alta freqüência ou ultra-sônicos, na faixa de 150 kHz, sob a forma de “clicks” ou estalidos. Esses sons são gerados pelo ar inspirado e expirado através de um órgão existente no alto da cabeça, os sacos nasais ou aéreos. Os sons provavelmente são controlados, amplificados e enviados à frente através de uma ampola cheia de óleo situada na nuca ou testa, o Melão, que dirige as ondas sonoras em feixe à frente, para o ambiente aquático. Esse ambiente favorece muito esse sentido, pois o som se propaga na água cinco vezes mais rápido do que no ar. A freqüência desses estalidos é mais alta que a dos sons usados para comunicações e é diferente para cada espécie.

Quando o som atinge um objeto ou presa, parte é refletida de volta na forma de eco e é captado por um grande órgão adiposo ou tecido especial no seu maxilar inferior ou mandíbula, sendo os sons transmitidos ao ouvido interno ou médio e daí para o cérebro. Grande parte do cérebro está envolvida no processamento e na interpretação dessas informações acústicas geradas pela ecolocalização.

A ecolocalização dos golfinhos, além de permitir saber a distancia do objeto e se o mesmo está em movimento ou não, permite saber a textura, a densidade e o tamanho do objeto ou presa. Esses fatores tornam a ecolocalização do golfinho muito superior a qualquer sonar eletrônico inventado pelo ser humano. A temperatura dele varia com a da água 28 a 30 °C.

Pôr-do-sol.

"Eu poderia voar pelo espaço sempre."
Yuri Gagarin



O
pôr-do-sol é o momento em que o Sol se oculta no horizonte na direção oeste que pode ser considerado como um processo inverso do nascer do sol que é quando o sol aparece no horizonte na direção leste.
Ao período do dia em que ocorre o pôr-do-sol dá-se o nome de "ocaso".

Ele surge graças ao movimento de rotação da Terra, no qual o Sol aparenta se mover em torno do nosso planeta atravessando o céu de leste a oeste, o que o corre graças a nossa observação se da em um ponto não inercial.

O pôr do sol é normalmente mais brilhante do que o nascer do sol, pois a matiz de vermelho e laranja são mais vibrantes.A atmosfera responde de diversas formas à exposição da luz solar. Em particular, no final do dia, a atmosfera tende a reter uma quantidade maior de partículas em suspensão do que no início do dia.

Durante o dia, o sol aquece a superfície terrestre, diminuindo assim a umidade do ar e aumentando a velocidade e a turbulência dos ventos, o que acaba por levantar a poeira para o ar.

As diferenças entre o nascer do sol e o pôr do sol, em alguns casos, também dependem das peculiaridades geográficas do local de onde o evento esta sendo observado.


Mesinha pintada por: Heres Massa e Mayra Lopes.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Homenagem ao Projeto Humanizarte

Produção e edição de João Antônio Daher
Colaboração Mayra Lopes
Apresentação 03/10/2009
Faculdade de Medicina de Itajubá


video

Ou

http://www.youtube.com/results?search_query=Humanizarte+-+wmv&search_type=&aq=f

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

JECA MÉDICO

"Jeca Tatu não é assim, ele está assim".
Monteiro Lobato


Monteiro Lobato, na obra intitulada “Urupês” dedica-se a descrição do tipo brasileiro conhecido popularmente como “Jeca Tatu” explicitando que independente da profissão o brasileiro aprendeu a ser “jeca”, e, diferente dos romances anteriormente escritos critica esse “caso tipo” mostrando como sua inocência é um mito.
Denuncia que a imagem de inocente só busca esconder a realidade que segundo o autor consiste em um supremo comodismo que é sustentado por uma “filosofia do menor esforço” e de uma adaptação a praticamente todas as circunstâncias mediante as quais o mesmo deveria lutar por modificar.
Cita inúmeros exemplos que denotam a complacência e a falta de vontade do “Jeca” frente as mais diferentes circunstâncias da vida e culmina a exemplificação por intermédio de analogias do cotidiano do personagem.
Na analogia ao “banco com três pernas”, o autor mostra que o conformismo é mais fácil do que fazer algo para mudar, e a atitude conformista sempre é o posicionamento do “jeca”. Na visão do “Jeca” colocar uma quarta perna no banco é uma inutilidade, pois o banco só precisa de três pernas para cumprir sua função e colocar a quarta o obrigaria a nivelar todo o piso, lembra que pode se sentar sobre os calcanhares e culmina: “Seus remotos avós não gozavam maiores quantidades. Seus netos não meterão a quarta perna ao banco. Para quê? Vive-se bem sem isso.”
Termina descrevendo as condições precárias de moradia e eleva o comodismo ao absurdo ao elucidar o posicionamento do sujeito mediante tal circunstância: “Remendo (...) Para quê? Se uma casa dura dez anos e faltam ‘apenas’ nove para que ele abandone aquela? Essa filosofia economiza reparos.”
O sarcasmo ao lidar com o tipo “Jeca” torna o texto espirituoso porque descrito assim de forma tão aproximada o autor faz o tal “Jeca Tatu” parecer ridículo e leva o leitor a pensar em temas políticos, no conformismo humano mundial. Mas, mais que um convite a divagações de ordem política mundial o texto é universal e atemporal por descrever um comodismo que existe diariamente e atinge todos os âmbitos da sociedade.
É comum que os textos que tratem da temática saúde venham a criticar a postura “Jeca Tatu” por parte dos médicos que aceitam e se sujeitam às circunstâncias propostas pela institucionalização do serviço saúde, trabalhando sem “condições de trabalho” dignas.
Talvez uma análise mais aprofundada pudesse considerar “Jeca Tatu” o “residente” (profissional que se especializa) que se sujeita a uma competição desumana por vagas em serviços de referencia ou ainda a uma exploração do trabalho do “residente” que é por vezes abandonado sem um preceptor que o ensine.
Mas as temáticas acima são abordadas pelos conselhos, pela população e pela política nacional de uma forma mais ampla.
A temática abordada com menor importância é a da formação do médico ainda na graduação. Existe uma abertura indiscriminada de cursos de medicina, como se a quantidade de médicos despejada no mercado fosse suprir a falta de qualidade.
E, pouco se discute sobre a qualidade, porque quando se discute, quando se vislumbra um banco com três pernas e têm-se alma, sangue correndo nas veias, anseia-se por meter a quarta perna no banco.
Para fugir de uma atitude digna os responsáveis decidem instalar uma prova para permitir que o médico clinique e que tenha registro no conselho federal.
Ora, todos os posicionamentos tangenciam a questão central, pois existem cursinhos especializados em treinar alunos para serem aprovados na prova de residência e logo surgirão os especializados na prova para obtenção de título de graduação caso o mesmo venha a ser instituído.
A questão está para além do fato da instituição formadora fornecer ou não padrão mínimo para uma boa graduação: sequer pode-se medir tal variável. Simplesmente porque no ínterim da graduação existem métodos ilícitos para que o acadêmico consiga ser aprovado nas disciplinas curriculares.
Popularmente tais métodos são conhecidos pelo termo “cola”. Em pergunta realizada a mais de trezentos acadêmicos de medicina, oriundos de instituições brasileiras federais, estaduais e particulares, realizadas por intermédio do msn a resposta foi unânime: todos usam ou já usaram métodos ilícitos durante avaliação na graduação.
Mas nenhum deles aceitaria participar de uma pesquisa científica sobre o fato, por não confiarem na existência de um sigilo e por temerem retaliações por parte das instituições de ensino as quais estão vinculados.
Todos afirmaram que em uma pesquisa que abordasse tal tema responderiam com negativa por saberem das implicações legais acerca desses métodos.
O mais interessante é que esses graduandos defendem tais métodos por considerar que a cobrança a que são submetidos absurda. Mas completam que não realizaram reclamações de forma individualizada por temer o estigma de incompetentes. Praticamente 98% dos abordados tem verdadeiro pavor desse estigma.
As queixas são inúmeras nos diálogos e vão desde professores salientes, até o fato de que a memória humana não consegue reter tanta informação quanto é cobrado.
O resultado de tais implicações pode ser visto no número crescente de processos relacionados a erro médico e principalmente na insatisfação da população com o atendimento prestado. A insatisfação da população é crescente com o atendimento clínico com o tratamento pouco cordial que recebe e não apenas no que se refere aos recursos do setor saúde.
Professores, familiares e alunos acreditam ser normais atitudes de pouco comprometimento, brincadeiras na graduação, métodos ilícitos para a aprovação; Raramente consideram o fato de que a graduação é formadora de personalidades e de valores éticos.
Existe uma espécie de crendice de que o médico é um profissional com ares divinos quase que investido e outorgado por uma força maior para curar. Não questiono tal perspectiva, mas longas horas de estudo, empenho e comprometimento são essenciais à formação profissional.
O grande ponto da questão consiste no fato de que não existem culpados de forma direta para a situação alarmante. Não basta dizer que existem médicos dando aula e que não existe um direcionamento específico para a formação dos professores de medicina.
Não basta culpar os alunos por “colarem” nas avaliações defendendo que dessa forma não há como saber o quão absurdo tem sido o critério de avaliação a que são submetidos.
Não basta culpar o professor pelo terrorismo e humilhação a que submete o acadêmico.
A situação assemelha-se a um emaranhado sem ponta para desatar tantas variáveis absurdas.
A verdade é tão assustadora que se parece folclore. Os casos relatados chegam a ser inacreditáveis como o caso dos alunos que colaram e tiveram notas diferentes e nunca puderam ver suas avaliações.
Ou ainda o dos alunos que só estudam por xérox de provas anteriores, pois os professores não mudam a cobrança, não valorizam o que é digno. Não há estímulo concreto para estudar por livros. O abuso de poder por parte dos professores é queixa freqüente.
Um dos marcantes consiste no do professor que após aplicar a prova iniciou sua correção diante da classe, após corrigir a primeira somou as notas e percebeu que a nota seria 9.5 em 10. Achando absurdo nota tão alta foi conferir quem havia se saído tão bem na avaliação e se assustou em constatar que havia corrigido o gabarito. Nem o seu gabarito teve dez.
Outro professor muito temido, após correção da prova lia os erros para a sala e ria de quem os havia escrito em publico, nomeando os alunos que seguravam as lágrimas para derramá-las frente ao computador, no msn.
Esses são ainda professores que compareciam as aulas, porque os grandes catedráticos e chefes de cadeira de disciplinas tiveram como queixa a ausência, sendo as aulas ministradas pelos professores adjuntos.
Há ainda um relato de um trabalho em que os grupos de uma classe compraram a apresentação a ser feita, exceto um grupo que decidiu por fazer o trabalho de forma correta. Devido à compra todos os demais grupos tiveram trabalhos iguais, e para espanto geral o grupo que fez obteve a mesma nota dos demais que compraram. Existem muitas formas de ridicularizar algo, mas a injustiça, sem a menor sombra de dúvidas, é a mais cruel delas. O esforço e o desempenho foram elevados a um grande nada. No ano seguinte: todos os grupos optaram por comprar o trabalho.
A conduta dos professores deixa claro que não importa quanto esforço exista, simplesmente tem-se que ser subserviente, assim, “forma-se logo” e sem maiores problemas.
Um dos relatos mais tristes foi realizado por uma turma de instituição federal: a professora era muito exigente e cobrava que a resposta fosse quase uma cópia exata do livro. Cada acadêmico se responsabilizou por digitar uma parte da matéria, de modo que no dia da prova, todos possuíam exatamente a mesma “cola” que havia sido enviada por email para todos os alunos da sala. Todos estavam usando do mesmo método ilícito, mas apenas um deles foi pego, e depois do medo de serem denunciados ter passado esse único educando foi reprovado na disciplina devido ao “zero” na avaliação e os colegas por solidariedade ou por culpa, fizeram os trabalhos dele por um ano. Declarando considerarem uma injustiça o que aconteceu, mas não fazendo nada para mudar, alegavam que o medo é maior e não havia o que fazer para mudar: pertenciam à parte fraca da situação.
Quanto mais é relatado, mais absurdo fica. Alguns culpam a modernidade, outros culpam a pedagogia... As culpas são muitas e os culpados não existem, simplesmente porque não há comprometimento quando os seres são promíscuos.
Inicia-se assim mais um círculo vicioso no qual a cola faz com que o professor pense que as avaliações são razoáveis e, o aluno por ser avaliado de forma excessiva tenta burlar tal avaliação usando de métodos ilícitos, colando mais e mais.
Isso se estende para os projetos de pesquisa, muitos ingressam na pesquisa não por idealismo, mas por duas linhas a mais em seus currículos.
Abrange as monitorias que são tão mais concorridas quanto mais terroristas são os professores. Fazendo lembrar os escravos que mesmo depois de alforriados não conseguiam sobreviver longe da crueldade de seus senhores.
Na letra da música: “Passamos vinte anos na escola para aprender todas as manhas do seu jogo sujo. Mas agora chegou nossa vez, vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.” E quem sofre são os doentes, os pacientes, o sistema... Uma guerra na qual não há vitoriosos, só mortos.
O texto do Monteiro Lobato poderia ser parafraseado para essa situação específica no linguajar acadêmico da seguinte forma: “Seus remotos veteranos não gozavam maiores quantidades. Seus bixos não meterão a quarta perna ao banco. Para quê? Vive-se bem sem isso.”
Poderia até terminar a reflexão proposta pelo texto comparando acadêmico de medicina ao tradicional “Jeca”: “Remendo (...) Para quê? Se a graduação dura seis anos e faltam ‘apenas’ cinco para que ele termine aquela? Essa filosofia economiza reparos.”.



Resumo: Jeca Tatu - Monteiro Lobato

"Depois que me vi condenado a seis meses de prisão, e
posto numa cadeia de assassinos e ladrões só porque
teimei demais em dar petróleo à minha terra,
morri um bom pedaço na alma."
Monteiro Lobato


Capa J.W.Rodrigues:Urupês, 1ed.,1918.

JECA TATU


Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!

Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filósofo...

Quando comparece às feiras, todo mundo logo adivinha o que ele traz: sempre coisas que a natureza derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mão e colher (...) Nada mais.

Seu grande cuidado é espremer todas as consequências da lei do menor esforço – e nisso vai longe.

Começa na morada.

Sua casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e gargalhar o João-de-Barro.

Pura biboca de bosquímano. Mobília, nenhuma. A cama é uma espipada esteira de peri posta sobre o chão batido.

Às vezes se dá ao luxo de um banquinho de três pernas – para os hóspedes. Três pernas permitem o equilíbrio; inútil, portanto, meter a quarta, o que ainda o obrigaria a nivelar o chão. Para que assentos, se a natureza os dotou de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se sentam?

Nenhum talher. Não é a munheca um talher completo – colher, garfo e faca a um tempo?

Seus remotos avós não gozavam de maiores quantidades. Seus netos não meterão a quarta perna no banco. Para quê? Vive-se bem sem isso.

Se pelotas de barro caem, abrindo seteiras na parede, Jeca não se move a repô-las. Ficam pelo resto da vida os buracos abertos, a entremostrarem nesgas de céu.

Quando a palha do teto, apodrecida, greta em fendas por onde pinga a chuva, Jeca, em vez de remendar a tortura, limita-se, cada vez que chove, a aparar numa gamelinha a água gotejante...

Remendo... Para quê? Se uma casa dura dez anos e faltam “apenas” nove para que ele abandone aquela?

Esta filosofia economiza reparos.


LOBATO, Monteiro. Urupês. Brasiliense: São Paulo; 1948. 245-6.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Só mais um desenho...

"O dever de todas as coisas é ser uma felicidade."
Jorge Luís Borges



Depois de uma manhã no hospital deveria ir almoçar, era hora de almoçar, mas não fui.

Mesmo sem ter motivo resolvi entrar no anatômico para uma breve contemplada em algumas estruturas.
Adentrar aquela porta me faz lembrar da primeira vez que tive em um anatômico e de como a anatomia é um amor em minha vida desde então. Lembrando que nem só de um pão vive o homem cruzei o portal.
Grande surpresa foi encontrar o lugar lotado: era véspera da avaliação de cabeça e pescoço.
Um menino com o Gardner de um lado e o cadáver do outro tentava inultimente ler os limites e tentar entender os trígonos do pescoço.
Ao me ver perguntou se eu poderia ajudá-lo.
Respondi que sempre entende-se melhor no silêncio, pedi para que silenciasse por um minuto, deixasse o livro e me acompanhasse.
Peguei o pote de giz, fui para o bom e velho quadro negro que só o anatômico ainda possui.
E, simplesmente fluiu...
A forma com que a musculatura do pescoço é sistematizada é quase uma experiência mística. Existe tanta perfeição que só pode ser contemplada como a mais suave das belezas.
O ser humano é uma criação que jamais terá sua beleza esgotada, nem mesmo pela talha da ciência.
Lá estava a dissecação da musculatura do pescoço desenhada.
Feliz por me lembrar, por riscar com cores idéias que correspondiam a uma realidade anatomica. Fotografar aquele momento já significava muito.
Quem sabe um dia eu ainda fizesse um quadro dos trígonos.
Momentos simples podem ser uma dádiva de encantamento.
Atitudes corriqueiras podem dar sentido ou melhor um sentido todo especial às inúmeras horas de estudo e dedicação anteriormente despendidas sem a justificativa de um porque efetivo.
Mas poucos percebem isso, poucos percebem o quão gratificante pode ser ajudar alguém, mesmo que essa ajuda seja só um desenho.
Mesmo que ao anoitecer o técnico do laboratório apague aqueles traços.
A beleza é tão efêmera quanto um traço de giz que até o vento ajuda a apagar, mas é tão eterna quanto a duração do amor que pode despertar na alma que a contempla.


"Que teia é esta, a do será, do é e do foi?" - Borges

"Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti.
Mas viver sem amor acho impossível."
Borges.

"A vida é pobre demais para não ser também imortal."
Borges

Neurônio

"Não se pode fazer nada sem a solidão."
Pablo Picasso

"Se apenas houvesse uma única verdade,
não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema."
Pablo Picasso


"Na realidade trabalha-se com poucas cores.
O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar."
Pablo Picasso


"Em pintura pode-se experimentar tudo.
Tem-se mesmo esse direito.
Com a condição de nunca se recomeçar."
Pablo Picasso


"Um quadro só vive para quem o olha."
Pablo Picasso



TÍTULO: Neurônio

TEMA: Histologia

IMAGEM: Corte contendo uma célula neuronal

DESCRIÇÃO: Estilização da visualização de uma lâmina

ANO: 2009