quarta-feira, 6 de julho de 2011

Conto de areia

"Desde quando sorrir é ser feliz?

Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!"


Gonzaguinha





É sinistro, mas por vezes se faz necessário definir o óbvio para ter a certeza de que o absurdo não permeie a definição.



Tristeza ou desgosto é um sentimento humano que expressa desânimo ou frustração em relação a alguém ou algo. É o oposto da alegria. Pode ser originada da perda de algo ou de alguém que se tinha de muito valor ou pelo excesso de tédio; esta emoção pode ser potencializada se aquele que sofre de tristeza passa a acreditar que poderia ter feito algo para recuperar ou evitar a perda, mesmo que este algo a fazer seja na prática impossível de se concretizar, e independente da vontade do triste.



É comum a tristeza ser descrita como algo amargo, ou como uma dor, ou sentimento de incapacidade.



A tristeza pode causar reações física como depressão, insônia, falta de apetite, choro.



O choro, pranto é o ato de lacrimejar de forma abundante, consiste em uma resposta fisiológica do organismo a um estado emocional alterado.



O choro aconteece porque o sistema limbico responsável pelos sentimentos associa um estímulo emotivo com aqueles que já temos guardados, gerando algumas respostas, sendo que uma delas é o choro.



Depois disso, vários neurotransmissores são liberados, há estimulação da glândula lacrimal e a liberação da lágrima. Tais fenômenos neuroendócrinos estão relacionados ao estímulo de defesa do ser humano.



Há alguns tipos de choro: o resultante de algum tipo de emoção espontânea ou simulada e o intermitente ou persistente, por exemplo.



O ser humano tem a capacidade de simular o choro para conquistar um objetivo. Sendo o choro simulado o mais triste, porque um sujeito que precisa fingir tão completamente que é dor para conseguir algo apenas demostra de outro modo uma dor que deveras sente, assim como os artistas.



Momento minha vida: “quando eu era criança adorava música conto de areia principalmente o trecho: ‘Contam que toda a tristeza que vem da Bahia
Nasceu de uns olhos morenos, molhados de mar’. Eu imaginava que a dor era diretamente proporcional ao sentimento da pessoa que chorava. E encantava-me com a intensidade emocional do ser humano.”



Mas, a tristeza é como chiclete, mastiga-se, mastiga-se e chega uma hora em que se joga fora, senão fica nojento.



Depois que se aprende essa dinâmica, nada mais consegue atingir, nada mais magoa. E, com a chegada da sabedoria, as lágrimas se esgotam. E com elas os sentimentos intensos as paixões.



Como alegraria Platão: “Sem paixões, só virtudes...”



E o indivíduo vai ficando tão Nietzscheano: Tão glacial que queima os dedos, por isso, ardente.



Não se é bom ou ruim o dia em que se é capaz de sentir dores absolutas sem derramar uma lágrima, de sentir “toda tristeza da Bahia”, sem olhos morenos molhados de mar.



Mas ainda nesses dias resta a companhia de Vinicius que canta:





Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor



Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode nunca mais dizer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor



Em cada novo amanhecer





O pranto é força para cantar. E, se a dor for maior que o peito deve-se cantar mais forte que a dor.



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